Mostrando postagens com marcador flaming lips. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador flaming lips. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de abril de 2006

# 13. fale mal de mim

Autoramas em BH - - - - 10.000 Days, novo álbum do Tool - - - - Los Hermanos na Calourada da PUC - - - - novos do Sonic Youth e Pearl Jam - - - - Mutantes abrindo para o Flaming Lips - - - - m.a.s FEAR SATAN - - - - Estréias de clipes na MTV - - - - Os Idiotas Mesmo



Autoramas em Belo Horizonte, 15.04.06 (no LapaMultshow)

Situe-se: sábado, calor infernal, eu hiper gripado e bêbado depois de ficar toda a tarde tomando sorvete batido com vodka e NovaSchin. Então quando menos espero, os dois membros cabeça da Balaio Turtles me ligam dizendo que já está na hora de irmos para o Lapa, o lugar com os seguranças mais estúpidos da cidade, ver o 6º Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe.

Breve salto no tempo e estamos na porta do lugar. 23 horas e alguns minutos.
Enquanto os dois semi-alcoólatras que me acompanham discutem um meio de entrarmos com nossas garrafas de água mineral cheias de vodka sem que os seguranças as percebam enquanto apalpam nossos lindos corpinhos joviais (ao menos o meu) eu: quase passo mal / encontro com a Joana, que não via há uns 2 meses / como um cachorro quente horroroso / quase passo mal de novo / compro água de um tiozinho mal-encarado / penso que devo fazer um vídeo para "bonde do conceito por trás (sem manteiga)".
Outro salto no tempo, mais breve ainda que o anterior e estamos dentro do "centro cultural" (hahaha, é piada?) LapaMultshow, devidamente com nossas garrafas de vodka.
Para minha infelicidade, quem está se apresentando no palco ainda é a segunda banda do noite, a péssima La Pupuña. Uma mistura de som caribenho com surf music e teclados farofa. Ou seja, um saco.
Em seguida tocou o Estrume'n'tal, que é, no máximo, bacaninha. Mas que classifico aqui como enjoativo. Para minha salvação, como sou "muuuito esperto" (como diria a Lara. Ou a Nayla), descolei uma cadeirinha e me encostei numa pilastra bem em frente ao palco, o que resultou em maravilhosos minutos de sono interrompidos rápidos momentos de atenção no que acontecia no palco (isso durou os shows do La Pupuña e Estrume'N'Tal).

Gabriel com seu "uniforme Autoramas"

Após tomar um gentil pescoção de um dos meus amigos, sou avisado que o Autoramas é a próxima banda a tocar. Penso "Porra, dormi pra caralho e até perdi o show do Retrofoguetes! Tudo bem que a banda é ruim, mas queria ter visto".
Enfim, regenerado pelo cochilo fugaz e pela garrafa de água gelada que fudeu ainda mais a minha garganta, pude me preparar em frente ao palco e fazer meu alongamento básico enquanto esperava por Gabriel, Bacalhau e a nova baixista gostosinha de vestidinho, também conhecidos na cena alternativa brasileira e no Japão como os Autoramas, fazerem um dos melhores shows que vi este ano.

Dançando bêbado na frente do palco eu só pensava em duas coisas: 1. "isso é muito bom". 2. "Death From Above".
É inevitável a comparação. O baixo distorcido, a bateria seca e direta, o punch... lembra bastante Death From Above 1979. Mas antes de ver o Autoramas ao vivo, nunca tinha pensado nisso. O fato do DFA1979 sequer ter um guitarrista nem chega a ser muito relevante nessa comparação, já que a guitarra na Autoramas fica encoberta pelo peso do baixo e foca-se principalmente em detalhes, barulhinhos esquisitos.
Animado e com direito a coreografias ensaiadas por parte da banda, animou bastante a platéia e nos livrou por um tempo da entediante e repetitiva "surf music padrão" que se ouvira até então.
Os momentos de maior empolgação ficaram, é claro, para "fale mal de mim" e "carinha triste". Infelizmente não tocaram "a história da vida de cada um", mas para compensar mandaram uma música nova bonitinha, meio power pop.
O melhor show que vi este ano, até o momento.



Após o término da apresentação do Autoramas, subiu ao palco a baianada do Retrofoguetes, para minha surpresa. De acordo com a programação eles deveriam ter tocado antes do Autoramas, mas, obviamente, houve uma (sábia) troca. A banda faz surf music banal com rockabilly igualmente banal e chato, mas que agrada àquelas pessoas de topete 50's, jaquetas de couro, sapatinhos retrô e costeletas enormes. Que preguiça.

Mas como era de se esperar, com meus dois amigos bebâdos como de costume, fiquei até o show acabar e presenciei: um babaca da platéia subindo ao palco a convite da banda e "cantando" uma porcaria qualquer; o Claudão da Obra bebaço e os membros do Balaio Turtles quase brigando com um segurança (com toda a razão, já que os seguranças do Lapa são um porre). E é também graças a essa noite que estou com uma puta gripe, minha sinusite me fudendo a vida e soltando algo verde (que me lembra os monstros de Os Caça Fantasmas) pelos banheiros da PUC.

Ps: a tia da limpeza não precisa se preocupar porque eu jogo águinha no lavatório depois, tá?



Novo álbum do Tool na internet
10.000 Days, novo álbum do Tool, será lançado apenas dia 02 de maio mas já está na internet e é simplesmente... ótimo. Provavelmente o mais pesado álbum da banda. Prova disto é o incrível primeiro single, "vicarious".
Uma série de arquivos falsos fingindo ser as músicas novas da banda estão circulando pela internet, todas que baixei no Soulseek, por exemplo, eram falsas. Tipo, outras bandas estão colocando suas músicas como se fossem do Tool e apenas quando você vai ouvir no seu player é que o nome real da banda aparece.
Aconselho a baixarem o cd através de torrent, pois é bem mais seguro e fácil.
Baixei o álbum no www.torrentportal.com, é o melhor site que conheço para baixar álbuns que ainda não foram lançados. Neste site há um torrent do 10.000 Days com mais de 1100 seeders, ou seja, o seu download além de certeiro, será rápido.

novo logo da banda

Para não haver dúvida e pegar todas as músicas deste que desde já é um dos melhores álbuns do ano, aqui vão as músicas do álbum com seus respectivos tempos e número:
01. vicarious / 7:08
02. jambi / 7:30
03. wings for marie (part 1) / 6:13
04. 10.000 days (wings part 2) / 11:15
05. the pot / 6:23
06. lipan conjuring / 1:13
07. lost keys / 3:48
08. rosetta stoned / 11:12
09. intension / 7:23
10. right in two / 8:57
11. virginti tres / 5:02

O Tool é atração principal em uma das noites do festival Coachella, que acontece em Indio, Califórnia, no próximo fim de semana.

e aproveitando...

7 músicas que você precisa ouvir do: TOOL
* stinkfist
* parabola
* eulogy
* sober
* jerk-off
* vicarious
* aenema

É claro que todo o álbum Aenima, de 1996, é fundamental, um dos melhores da década de 90.

>>

Los Hermanos de novo!
Como já era sabido, mas não havia sido divulgado ainda: Los Hermanos de novo em Belo Horizonte, dia 07 de maio, domingo, na calourada da PUC. No site da banda o local está definido como "Campus da PUC", mas ainda não foi confirmado por parte do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da PUC, que organiza o show. O local escolhido deve ser divulgado nos próximos dias.

>>

Novo álbum do Sonic Youth
"Rather Ripped" é o nome do novo álbum dos new yorkers do Sonic Youth, a ser lançado em junho. Um mês após o lançamento do álbum a banda iniciará uma turnê pelos EUA com o Pearl Jam, durante todo o mês de julho.
Este é 16º álbum da banda, desconsiderando coletâneas e projetos paralelos, como o Ciccone Youth.
Eis a listas das músicas presentes no cd:
1. Reena / 2. Incinerate / 3. Do You Believe in Rapture? / 4. Sleepin' Around / 5. What A Waste / 6. Jams Run Free / 7. Rats / 8. Turquoise Boy / 9. Lights Out / 10. The Neutral / 11. Pink Steam / 12. Or
capa do novo do Sonic Youth

>>

Novo álbum do Pearl Jam
O Pearl Jam lança seu oitavo álbum no dia 02 de maio, com 13 faixas. O álbum, homônimo, tem como primeiro single a música "world wide suicide" e é o primeiro a ser lançado pela gravadora da própria banda, a J Records. A lista das músicas presentes no cd é: "Life Wasted" / "World Wide Suicide" / "Comatose" / "Severed Hand" / "Marker in the Sand" / "Parachutes" / "Unemployable" / "Big Wave" / "Gone" / "Wasted Reprise" / "Army Reserve" / "Come Back" / "Inside Job"

>>

Flaming Lips e Mutantes
Este é o show que acontece no dia 23 de julho no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Já imaginou quem estará na platéia? Meio mundo do rock alternativo americano (tipo, Beck, o povo do Sonic Youth) e os atores mais "descolados" de Hollywood.
Este é o maior show no exterior da volta d'Os Mutantes, o lugar suporta 17 mil pessoas. A única lástima é ter de aguentar a Zélia Duncan...
Na mesma noite toca também o Thievery Corporation.





Playstation Teenage Riot
Se você ainda não ouviu o novo e especial single do m.a.s FEAR SATAN, "playstation teenage riot", bem, o problema é seu. Em homenagem ao grande Atari Teenage Riot. Escute aqui.

>>

Vídeos de bandas bacanas que estream estes dias na MTV
19.04 - Depeche Mode _ suffer well
20.04 - Placebo _ song to say goodbye
24.04 - Green Day _ st jimmy
01.05 - The Flaming Lips _ the yeah yeah song

>>

Os Idiotas Mesmo
Junte Allan Sieber, Edu K e Paulo César Pereio em uma produção da Toscographics que dá nisso... Fóda!

clique sobre a imagem e assista ao curta

Sinopse:
"Uma fábrica de cigarros decide lançar uma nova marca de cigarro no mercado, o Relax 3000. Entra em ação uma equipe de publicitários. Milhares de dólares envolvidos, milhares de reuniões, milhares de esporros e um cheiro de merda no ar. "

>>

winamp vs real player:
Primal Scream . xtrmntr [2000] - excelente
escute: accelerator / keep your dreams / swastika eyes / shoot speed kill light
Doves . the last broadcast [2002] - bem legalzinho mesmo / derivado de: Coldplay
escute: m62 song / words / there goes the fear
British Sea Power . open season [2005] - bacana / derivado de: Echo and The Bunnymen
escute: be gone / please stand up / how will i ever find my way home?
Blur . parklife [1994] - bom
escute: end of a century / girls and boys /
Ladytron . the witching hour [2005] - bom
escute: international dateline / destroy everything you touch / the last one standing

segunda-feira, 10 de abril de 2006

# 12. miniotário

P.U.T.A. no YouTube - - - - O cocô do Amarante é lindo - - - - Baixa no Udora e turnê cancelada - - - - Phil Anselmo no Alice In Chains? Não. - - - - War at the Mystics: Flaming Lips - - - - O "novo" Silverchair - - - - Jason Lee e Steve Carrel no FX - - - - 6 º Primeiro Campeonato Mineiro de Surf - - - - Shows do Mombojó em maio



Vídeos da P.U.T.A. no YouTube!
Até agora, apenas os vídeos de "Requiem for a dream" e o de "La belle...".
"Requiem..." foi o primeiro vídeo da p.u.t.a. e "La belle..." é o mais recente, ambos feitos por mim (eu tinha que falar...).

Requiem For A Dream

La belle...



O cocô do Amarante é lindo!
Poderia acabar por aqui minha resenha do show do Los Hermanos no último sábado, dia 08, no Chevrolet Hall. É exatamente esta a impressão que tive sobre o que os fans pensam da banda e do show, por tabela.
A qualquer momento, se Rodrigo Amarante ou qualquer um de seus irmãos abaixasse as calças e simplesmente cagasse no palco à la Mike Patton, não seriam pouco(a)s o(a)s idiotinhas a gritar "lindo!", "fóda!" e "eu quero!".
É incrível como uma banda lança um álbum pior que o anterior mas ainda assim cosegue atrair ainda mais público para seu show. Dos 5 shows que vi da banda, o de sábado foi sem dúvida o mais cheio. E isso significa: mais proto-groupies imbecis se esgoelando desafinadamente do seu lado; mais imbecis querendo barrar sua passagem; mais estúpidos sobre os ombros de outra pessoa tampando a vista de todos que estão atrás e um inferno a ser percorrido quando se está com a bexiga estourando e necessita urgentemente ir ao banheiro mais limpo das casas de show da cidade.



Eu adoro Los Hermanos, que fique claro. Mas odeio a idiotização gerada em torno de bandas aclamadas pelo público (e/ou crítica).
Amarante e Camelo se vestem como meu pai. Você vê o meu pai e pensa "Velho ultrapassado!". Você vê os hermanos e diz "Ai que lindo! Eles têm tanto charme!". Putz.
Sem contar o fato mais óbvio de que a adoração altera o julgamento. Em algumas das músicas mais recentes, mais calmas, em que era quase possível dormir em pé em frente ao palco, pessoas até dançando. Coloque uma banda nova tocando a mesma canção e ninguém dará a mínima. Mas são os Los Hermanos...

Em relação aos shows antigos da banda, nenhuma grande novidade. Infelizmente não tocaram "Quem Sabe?" e nem "Horizonte Distante", mas tocaram duas do quase-renegado primeiro álbum da banda.
Como de costume, poucas palavras tocadas com o público, mas a cada "ops" que Camelo ou Amarante soltavam no microfone, os gritinhos irritantes percorriam o ambiente. Tsc Tsc.
Esse povo merece mesmo é comer bosta.



Udora cancela tour nacional
Devido à saída do baterista Jean Dolabella, a Udora cancelou sua turnê nacional, que se realizaria durante o m6es de maio. Segundo informações do site da banda, eles não teriam tempo suficiente para conseguir outro baterista para a turnê no Brasil.
A saída de Jean é justificada por "diferencas irreconciliaveis, tanto na esfera pessoal quanto profissional", de acordo com o vocalista Gustavo Drummond. Alguém duvida de que um dos principais motivos da saída é a insatisfação por parte do baterista com o rumo pop que a Udora vem seguindo? Eu não.

>>

Phil Anselmo no Alice In Chains? Não.
Como você já deve saber, o ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo, se apresentou junto aos integrantes remanescentes do Alice In Chains em um show de tributo à banda Heart. No show Anselmo cantou duas músicas do AIC: "Them Bones" e "Would?".
Até alguns meses atrás os boatos eram de que o Alice In Chains voltaria a ativa com Maynard James Keenan, do Tool e A Perfect Circle, nos vocais, mas o lançamento do novo álbum do Tool no próximo mês acaba com este boato (ao menos por um bom tempo).

Agora foi divulgado que o Alive In Chains fará mais de 20 shows pela europa e o vocalista convidado não é nenhum dos citados acima e sim o desconhecido William Duvall, membro da banda de apoio de Jerry Cantrell em sua carreira solo.
Dá uma certa decepção. Seria tão interessante ver Phil Anselmo ou o Maynard cantando "and we die young..."



Agora que já passou um tempo desde que a minha resenha do novo álbum do The Flaming Lips foi publicada no Pílula Pop, coloco aqui a versão não-editada da mesma, aproveitando que o cd foi lançado na semana passada.

Flaming Lips. War At The Mystics

Desenhos animados (e alguns games) têm uma clara conexão com as drogas. Afinal, qualquer pessoa de bom senso percebe que aquele alucinado pica-pau de cabelo vermelho é um grande usuário de anfetaminas. É óbvio que o "inocente" Tio Ted é um ex-hippie traficante e que seu sobrinho Bob tem altas viagens tomando os ácidos que o titio esconde na gaveta (oh, o fantástico mundo...). Os irmãos bigodudos mais famosos do Super Nintendo não vivem sem um cogumelo (literalmente). E a esponja falante e a estrela do mar mais legais da tv, além de gays enrustidos, são usuários de um amplo coquetel de substâncias ilícitas que faria inveja até a Hunter Thompson e seu "advogado" Dr. Gonzo.

Aceitando-se esta verdade até então negada por muitos, War At The Mystics, novo álbum dos americanos do The Flaming Lips, torna-se a trilha sonora perfeita para as aventuras "alucinadas" (perceba o duplo sentido) destes personagens. Ainda mais se levarmos em consideração de que estamos falando de uma banda que coloca dezenas de pessoas vestidas de bichinhos de pelúcia para pular no palco durante seus shows e cujo vocalista tem uma arma de serpentina, anda sobre a platéia dentro de sua bolha de plástico tirada diretamente dos desenhos animados e que faz um filme chamado "Christmas On Mars". Pois é.



Mais animado e rocker do que seus dois álbuns antecessores (The Soft Bulletin, de 1999 e Yoshimi Battles The Pink Robots, de 2002), War At The Mystics traz, como de costume em se tratando de Flaming Lips, muita esquisitice, barulhos indecifráveis, sons que parecem vir de brinquedos (e talvez realmente venham), letras estranhas e títulos incríveis para as músicas, como "Free Radicals (A Hallucination Of The Christmas Skeleton Pleading With A Suicide Bomber)".

Com um super estúdio e tempo ao seu dispor, somados a ajuda do produtor Dave Fridmann, o Flaming Lips pôde criar um super produção da esquisitice. Mas não espere um Kid A da banda. Ao mesmo tempo em que conseguem soar experimentais e fazer algo novo, estão sempre acompanhados de belas melodias.

É um álbum menos progressivo e mais rock que os anteriores, com uma pegada ainda maior de space rock e intervenções eletrônicas.

Logo na abertura, com "The Yeah Yeah Yeah Song...(With All Your Power)", seu rosto se contorce e você pensa ter baixado um arquivo corrompido, mas essa impressão vai logo pelos ares assim que os gritos afetados de Wayne Coyne dão lugar a uma bela melodia pop e você se vê batendo o pé no ritmo da música e balançando a cabeça, acompanhando a guitarra saturada de phaser do refrão.

A faixa seguinte, "Free Radicals (A Hallucination Of The Christmas Skeleton Pleading With A Suicide Bomber)", além de ter um ótimo nome, é pura subversão do rock setentista, inspirada em um sonho (ou pesadelo) de Wayne com o hippie de boutique Devendra Banhardt e homens-bomba.

Seguem-se a animadinha "The Sound Of Failure / It's Dark...Is It Always This Dark??" e a calma "My Cosmic Autumn Rebellion (The Inner Life As Blazing Shield Of Defiance And Optimism As Celestial Spear Of Action)".

O álbum inteiro segue esta lógica, alternando momentos mais calmos, de psicodelia space rocker progressiva (uh!) com músicas mais animadas, que só podem ser classificadas como "freak pop". Aliás, a meu ver, esta seria a única classificação cabível ao álbum. Afinal, o que combina mais com músicas como "It Overtakes Me / The Stars Are So Big...I Am So Small...Do I Stand A Chance?" e "The W.A.N.D. (The Will Always Negates Defeat)", ambas pop na essência, mas imersas em um caldeirão de aberrações sonoras? Freak pop. Ou melhor, freak "pop".

O que pode parecer controverso para muitos ("experimentalismo com pop?", perguntam-se), acaba tornando-se uma das maiores qualidades de At War With The Mystics: a capacidade de explorar as possibilidades sem soar inacessível. Ora, fazer barulhos desconexos, cantar sobre coisas sem sentido e chamar tudo isto de "experimental" pode ser feito por qualquer idiota presunçoso. Já o que faz o Flaming Lips...



Para os preguiçosos downloaders, eis dois exemplos das duas faces de War At The Mystics: "Pompeii am Götterdämmerung" (parte progressiva/psicodélica/space rock) e "The Yeah Yeah Yeah Song...(With All Your Power) (da parte "freak pop").

Com lançamento marcado para 3 de abril, War At The Mystics, décimo segundo álbum da banda, revela uma banda coesa e preparada, buscando se divertir, explorando tudo que tem ao seu alcance para alcançar seu objetivo.

Eu, sinceramente, espero que a fome de Wayne Coyne, Steve Drozd e Michael Ivins por diversão demore a ser saciada. E vida longa ao freak pop.



Veja o "novo" Silverchair
Abrindo uma exceção em mais de um ano, enfim publicarei uma foto de banda sem um belo X no rosto de seus membros. Tal honra cabe ao Silverchair, que está gravando o novo álbum depois de 2 anos parado.

Em entrevista recente os membros da banda afirmaram que o álbum terá uma sonoridade que lembra a mistura de do ótimo Freak Show [segundo álbum da banda] e Diorama [quarto e mais recente lançamento dos australianos]. Ou seja, parece que vem peso orquestrado.
A julgar pela foto, parece uma banda da década de 70. Resquícos grunges, orquestrações à la Van Dyke Parks e psicodelia?
Durante as gravações do novo álbum a banda disponibilizará um novo vídeo a cada semana em seu site oficial. São bem curtos, cerca de 1 minuto e meio cada, mas interessantes para os fans.

>>

Estréias no FX: My Name Is Earl e The Office
Estrearam no último domingo duas séries bacanas no canal pago FX: My Name Is Earl e The Office.
A primeira vai ao ar todos os domingos às 21 hrs e tem como protagonista o ótimo Jason Lee (MallRats, Dogma, Almost Famous e o clipe de 100% do Sonic Youth, ele é o carinha que fica andando de skate). O Earl que dá nome à série é um vagabundo imbecil que vive dando pequenos golpes, até o dia em que ganha na loteria mas é atropelado e perde o bilhete premiado. Ele então "percebe" que as coisas dão errado para ele porque ele faz coisas ruins para as pessoas e resolve fazer uma lista com dezenas de coisas que deve consertar para ter uma vida boa. Entre essas coisas ruins feitas por ele está transar com uma mulher perneta apenas para roubar seu carro. Precisa mais?
Só um detalhe idiota: na vida real, Lee nomeou seu filho "Pilot Inspektor".

"My name is Earl, motherfucker!"

Já The Office é a versão americana da série inglesa de mesmo nome. Protagonizada por Steve Carrel (O Virgem de 40 Anos, A Lenda de Ron Burgundy), a série se passa em um escritório de uma empresa que vende papel e mostra o dia-dia de seus funcionários, em uma mistura de non-sense com falso documentário. O melhor é o personagem de Carrel, o chefe do escritório: um idiota totalmente sem noção que se acha engraçado e que acredita estar ajudando seus colegas de trabalho com seus comentários estúpidos.
Vai ao ar logo após My Name Is Earl, às 21:30.



6 º Primeiro Campeonato Mineiro de Surf na Obra
Começa nesta quarta, dia 12. Eis a programação completa:
* Quarta, 12/04
Shows: Reverb All Stars (MG) / Esquadrão Relâmpago: Monster Surf (MG)
DJ's: Big Paul the Monster e Arroz - - - - Horário: 22:00h - entrada: R$ 7,00
* Quinta, 13/04
Shows: Mordeorabo (MG) / Caipirinhas (MG) / Os Pazuzus (RJ)
DJ's: André Brain Error e Danelectro - - - - Horário: 22:00h - entrada: R$ 10,00
* Sexta, 14/04
Shows: Lava Jets (MG) / thesurfmotherfuckers (MG) / Macaco Bong (MT) / Go! (RJ)
DJ's: LeSado (SP) e Mocotó - - - - Horário: 22:00h - entrada: R$ 10,00
*Sábado, 15/04 [neste dia os shows rolam no Lapa Multshow, já que lá cabem mais pessoas]
Shows: PROA (MG) / La Pupuña (PA) / Estrume'n'tal (MG) / Retrofoguetes (BA) / Autoramas (RJ)
DJ's: BigBross (BA) e Capitão Insano - - - - Horário: 21:00h - entrada: R$ 15,00

>>

7 músicas para você ouvir: covers
* MOGWAI tocando "don't cry" do Guns 'N Roses
* GIRLS AGAINST BOYS tocando "she's lost control" do Joy Division
* ORGY tocando "blue monday" do New Order
* TOOL tocando "no quarter" do Led Zeppelin
* PLACEBO tocando "bigmouth strikes again", The Smiths
* SILVERCHAIR tocando "minor threat" do Minor Threat
* MARILYN MANSON tocando "suicide is painless" do Nick Drake

>>

agenda MOMBOJÓ - maio:
DIA 12 SHOW EM RIBEIRÃO PRETO
DIA 17 PORTO ALEGRE
DIA 18 FLORIANOPOLIS(À CONFIRMAR)
DIA 19 CURITIBA
DIA 20 SÃO PAULO (SESC POMPEIA)
DIA 26 RIO DE JANEIRO
DIA 27 BELO HORIZONTE
DIA 28 BRASILIA

>>

ouvindo:
Elliot Smith
Galaxie 500
Silverchair . Diorama
Blur

segunda-feira, 20 de março de 2006

# 09. loser

[ um post pessoal e em crise ]

algumas coisas mudam a partir de agora. definitivamente.
não é apenas pela má notícia hoje recebida. nãp apenas.
quando se está meio triste e não faz idéia sobre o que fazer agora, qual o próximo passo, o seu objetivo a curto prazo...
eu tentei ser pessimista. eu tentei...
mas talvez eu não esteja tão perdido assim. o "ideal" já não é mais alcansável ("você é, tipo, a segunda opção") mas talvez seja um bom momento para aprofundar em outras coisas.
faça mais uma lista.
sim.
e veja pelo lado bom:
* a minha resenha do novo álbum do THE FLAMING LIPS já está online no Pílula Pop ;
* um cara da rádio Itatiaia quer fazer uma entrevista sobre a MISS LECK ;
* fui convidado para fazer uma apresentação no Rio de Janeiro (que não acontecerá por falta de verba, mas ao menos fui convidado), com a P.U.T.A. toda ou mesmo com o meu projeto solo, m.a.s fear satan ;
* tenho a mais bem conceituada casa de shows alternativa (a culpada!) de Belo Horizonte de portas abertas para receber os meus projetos.

mas é pouco. nada disto dá dinheiro e eu não vivo só de ar. capitalism stole my virginity. eu vendo minha alma por papel.
reconhecimento artístico é para idiotas egocêntricos. I want money every day (and a little of rock and roll).

sábado, 18 de março de 2006

# 08. I predict a riot

... já sem as aftas que me incomodavam. Acho que era mesmo ansiedade. Espero que tenha ido bem...

>>

FLAMING LIPS - - - - OASIS / Pílula Pop - - - - MONTAGE - - - - DISTORTION RATE - - - - SILENT HILL - - - - ASK THE DUST - - - - SXSW - - - - LOLLAPALOOZA

Em breve, completo.

>>

O novo álbum do THE FLAMING LIPS, At War With The Mystics, sai apenas no início de abril, mas nos próximos dias já estará disponível no Pílula Pop uma resenha do álbum escrita por mim.
O álbum está muito bom, vale a pena dar uma conferida. Para baixar, indico "It Overtakes Me / The Stars Are So Big...I Am So Small...Do I Stand A Chance?", "The Yeah Yeah Yeah Song" e "Goin' On".



Quando for ao site do Pílula para ler a resenha, aproveite para ler sobre o show do OASIS em São Paulo, porque a matéria ficou bem legal.
Eu, para variar, não fui ao show dos irmãos Gallagher e também não irei ao SUPERGRASS no Campari Rock.

>>

Sabe o que é "poser"? Não? Eu conto: MONTAGE.
Este trio cearense de electro-punk é poser poser poser, mas como aqui imagem não é o que importa, vamos direto ao som. Fusão de electro e rock, com letras mezzo gays-mezzo safadas-mezzo engraçadinhas, a banda vem alcançando cada vez mais espaço na cena alternativa brasileira. Prova disto é que abrem a edição deste ano do CAMPARI ROCK (logo depois deles tocam os mineiros do DIGITARIA).

MONTAGE

Em "I trust my dealer", uma das melhores músicas da banda, percebe-se uma clara influência de PLACEBO e uma assombrosa semelhança entre as vozes de Brian Molko e Daniel Peixoto, vocalista da MONTAGE. O engraçado é que apesar de ter um membro exclusivamente para os vocais, a maioria das músicas são cantadas pelo computador, naqueles programas em que você digita as palavras e o pc "fala".

Mas o mini-hype se justifica? Na minha opinião, não. Mas cabe às próprias pessoas ouvirem e opinarem por si mesmas. Então vá até a página da banda na Trama Virtual e confira. Eu indico a audição de: "I trust my dealer", "bring someone else to our bed" e "raio de fogo".

>>



Durante uma das minhas "andanças virtuais" pela TramaVirtual, encontrei uma banda de BH chamada DISTORTION RATE, de garage rock, bem bacana. Tanto o conceito como o som. "rivotril" é muito, muito boa. A banda faz rock garageiro rápido, pesado e direto, mais ou menos como o IKARA COLT. Entre as influências também dá para colocar MUDHONEY, SEX PISTOLS, TAD, STOOGES e SONIC YOUTH.
Trecho do release na Trama: "...nos armamos e cuspimos nessas ¿belas formas¿, fazendo de Distortion Rate uma forma de protesto sarcástico, cínico e consciente a uma questão de abuso, totalitarismo e alienação atual.
Escute a banda aqui.

>>

Nos próximos meses estréiam nos EUA o filme de SILENT HILL, adaptação do famoso jogo de Playstation e ASK THE DUST, adaptação do livro homônimo escrito por John Fante, lançado no Brasil como PERGUNTE AO PÓ (o filme será lançado no país com este mesmo nome).



Mesmo após ver o trailer de SILENT HILL não dá para saber se esta será mais uma péssima adaptação como RESIDENT EVIL ou se conseguirão manter o clima e a qualidade do game. Eu continuo com o pé atrás, pois Silent Hill sempre foi um dos meus jogos favoritos e motivo de muita dor de cabeça para mim, devido às diversas horas na frente da tv tentando terminar o jogo.
À primeira vista, a maior diferença é a escolha por uma protagonista, ao invés do homem do videogame. Como no cinema não haverá a mesma matança do jogo, o roteiro parece focar-se mais no suspense e nos sustos, algo mais praticável com um protagonista feminino.
Dirigido e roteirizado por Christophe Gans, o filme tem Radha Mitchell e Sean Bean nos papéis principais. Estréia nos EUA dia 21 de Abril e 16 de Junho no Brasil.



Já em ASK THE DUST (Pergunte Ao Pó), Colin Farrel interpreta um italiano recém-chegado a América na década de 1930 e sonha em se tornar um escritor, ao mesmo tempo em que se apaixona por uma mexicana que deseja ascender socialmente ao casar-se com um americano. Ambos enfrentam os problemas e desilusões ao buscarem o "american dream".
O filme estreou em algumas salas americanas na semana passada e tem lançamento nacional previsto para 26 de maio.
O roteiro e a direção são de Robert Towne (roteirista do ótimo CHINATOWN, com Jack Nicholson). Tom Cruise é um dos produtores.

>>

Não escreverei sobre o SXSW.

>>

Entre 4 e 6 de Agosto deste ano acontece mais uma edição do famoso festival americano LOLLAPALOOZA, que não é mais uma "turnê sobre rodas". Este ano os shows rolama em CHICAGO e, até agora, a tão falada volta do SMASHING PUMPKINS em um dos 8 palcos do festival não foi anunciada. Serão 130 bandas em 3 dias. O ingresso conjunto para todo o festival custa $ 130, ou seja, $1 por banda.
Até agora as bandas divulgadas são as abaixo (em negrito, as que mais interessariam ao mazzacane):
Red Hot Chili Peppers
Kanye West
Manu Chao
Wilco
Death Cab For Cutie
The Raconteurs
The Flaming Lips
Ween
Queens of the Stone Age
The Shins
Common
Matisyahu
Ryan Adams
Umphrey's McGee
Sonic Youth
Thievery Corporation
Sleater-Kinney
Nickel Creek
Blues Traveler
Broken Social Scene
The New Pornographers
Iron & Wine
Poi Dog Pondering
The Secret Machines
Eels
Panic! At the Disco
The Disco Biscuits
Reverend Horton Heat
The Smoking Popes
Andrew Bird
Gnarls Barkley
Stars
Cursive
Blackalicious
Editors
Lyrics Born
Lady Sovereign
Calexico
Nada Surf
Feist
Aqualung
The Frames
The Hold Steady
The Go! Team
Mates of State
Pepper
Particle
The Redwalls
Mute Math
Wolfmother
Sparta
The Subways
Of Montreal
Blue October / Jeremy Enigk / Living Things / Sound Team / The M's / Hot Chip
The Benevento-Russo Duo / Matt Costa / The New Amsterdams / deadboy & the Elephantmen
Sybris / Anathallo / The Burden Brothers / What Made Milwaukee Famous / Manishevitz
Husky Rescue / The Towers of London / Ohmega Watts / Boy Kill Boy / Jim Noir
The Standard / Be Your Own Pet / Elvis Perkins / Trevor Hall / Midlake

>>

Para escrever aqui hoje, fiz uma puta seleção para minha trilha sonora:
BLUR . end of a century / IDLEWILD . no generation / PAVEMENT . cut your hair / TURBONEGRO . final warning / BIÔNICA . porre de vodka / HELLACOPTERS . by the grace of god / JJ72 . october swimmer / BLEMISH . king kong / MONTAGE . i trust my dealer / UDORA . pieces / THE SUBWAYS . rock & roll queen

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

CLARO QUE É ROCK

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 05

Tenho coisas mais importantes à fazer, então tentarei ser breve nos relatos dos shows deste último fim de semana. O tempo que fiquei na praia antes do show e as coisas que fiz por lá não interessam. Pulo para a Cidade do Rock, local onde foi realizado o festival.
Entrei bem antes de os portões serem abertos ao público e nem dei meu ingresso na portaria, ele está intacto, aqui ao meu lado [na verdade está no meu quarto] como lembrança. Não interessa como fiz isso, são coisas que acontecem aos membros do Coletivo P.U.T.A. . O que importa é que este é mais um sinal da desorganização do festival. A mesma desorganização que resultou em duas horas de atraso para que o primeiro show começasse e no cancelamento do show da NAÇÃO ZUMBI. Tentaram colocar a banda para fechar, mas os pernambucanos não aceitaram tocar às 4 da madrugada, depois de todas as atrações internacionais.

Bla bla bla



A cena que vi aos se abrirem os portões foi uma das mais engraçadas do ano: um monte de menininhas e menininhos, de visual ¿punk mtv¿, correndo para se agarrarem às grades do palco onde o GOOD CHARLOTTE tocaria. Era cerca de 15:30. o show deles estava marcado para 17:45, após o CACHORRO GRANDE, que abriria a maratona de shows. Um puta sol de rachar, em apenas algumas horas de praia eu peguei um bronzeado bacana. E os otários ficaram grudados naquela grade, sob aquele sol torrando, para ver a porcaria do GOOD CHARLOTTE (detalhe: o show deles começou depois das 20:00. Hahaha. )



Devido a problemas com equipamentos o CACHORRO GRANDE teve de abandonar o palco B e foi tocar no palco A, onde o GOOD CHARLOTTE já havia passado som e tudo. Mais espera. Por volta das 19 horas os gaúchos começaram a tocar. Fizeram um ótimo show, muito melhor do que eu esperava. Suas músicas funcionam muito bem ao vivo: rock and roll sessentista esporrento, num misto de Beatles, The Who, Zombies, até chegar aos mais recentes Oasis e Franz Ferdinand. Um som nada original, mas bastante divertido. Ouça ¿um dia especial¿ e tente não perceber a incrível semelhança entre ela e ¿the importance of being idle¿, do mais recente álbum do Oasis. Ou então, escute aquela música do CACHORRO GRANDE em que no clipe eles estão em um trem e tente não se lembrar de uma certa banda escocesa que lançou seu segundo e ótimo álbum a pouco tempo e que está cotada para abrir os shows do U2 no Brasil em 2006.
Logo após tocarem a ótima ¿sexperienced¿, do 1º álbum, o CACHORRO GRANDE emendou uma cover da naturalmente esporrenta ¿helter skelter¿ de vcsabequem para fechar. Fóda! Guitarra e baixo jogados no chão, microfonias e stage dive do baterista depois, está acabado o primeiro show do dia. Quer dizer, noite. Ou melhor, está acabado o primeiro show que era para ser de dia mas foi de noite.



Uma hora depois entraram os americanos do GOOD CHARLOTTE. Como todas as bandas estrangeiras que tocaram no CQÉR eram americanas, não preciso repetir isto aqui depois. O show deles foi um saco, por isso nem vou perder meu tempo escrevendo as dezenas de piadinhas ironizando a banda que me vieram à cabeça. Também poderia escrever linhas e mais linhas sobre o absurdo número de pessoas extremamente idiotas que existem no mundo, sobre o absurdo nível de idiotice das mesmas ou sobre a absurda chatice do sotaque dos cariocas, mas não vou. Preguiça. Só de lembrar do guitarrista gêmeo da banda babando ovo do Brasil, fico enjoado. Mas apesar de tudo, tocaram uma música boa: ¿i just wanna live¿.



Após a sessão tortura de pop punk acabar, era a hora [teoricamente] da NAÇÃO ZUMBI. Então resolvi ir pegar um lugar bom para o ver o THE FLAMING LIPS. Enquanto via (e ouvia, obviamente) a banda passar o som, ouço alguém dizer ¿o FANTÔMAS ta no palco!¿. Viro e ao mesmo tempo, Mike Patton e seus comparsas iniciam seu terrorismo musical. Em menos de um minuto saio e frente do palco B e vou parar entre as 7 primeiras fileiras de pessoas em frente ao palco A.
Você não consegue ver o baterista da banda, a não ser pelo telão. Uma enorme bateria o deixa escondido. São inúmeros pratos e três, 3, bumbos! Trevor Dunn e Buzz Osbourne ficam o tempo todo um ao lado do outro e Mike Patton fica ao lado, envolto por duas mesas cheias de aparatos tecnológicos à serviço do barulho e da vontade do idiossincrático Patton. Todos amontoados no canto esquerdo do palco.
É difícil não manter um sorriso no rosto durante o show dos caras. Principalmente para quem é fan de FAITH NO MORE, de metal e de barulho. FANTÔMAS é a banda mais barulhenta que conheço. Não há letras, apenas grunhidos, gritos, onomatopéias. 30 segundos de trash metal do caralho, interrompidos por ruídos ensurdecedores, enquanto Patton sorria feliz para a audiência. Era mais ou menos isso o que se repetia durante todo o show. Uma puta mistura de metal, ruídos eletrônicos, improvisações, música experimental, canto gregoriano e até bossa nova.
Conversando com o público sempre em português, Patton chamou o festival de ¿claro que é merda¿, disse que o rio é a cidade mais bonita do mundo e fez uma homenagem a João Gilberto: começou cantando ¿ela é carioca, ela é carioca...¿ com uma base bossa ao fundo, que pouco depois virou metal e se desconstruiu em barulho com muita distorção. Antológico. O show mais engraçado que já vi na vida.
A banda tocou pouco mais de 30 minutos e tiveram que deixar o palco. O público queria mais e o próprio Patton esboçou uma volta, mas foi interrompido por pessoas da (des)organização do festival. Bundões.

Um detalhe engraçado é que o baterista do B5 [sic!] estava atrás de mim [opa! sem sacanagem] durante o show, todo sorridente. Realmente, percebe-se muita influência do trabalho de Patton no B5. (se você não percebeu, estou sendo irônico) [é horrível ter de explicar minhas próprias piadinhas, mas não sei qual o nível intelectual de quem lê essa bosta. provavelmente é baixo, ou leria outra coisa].



O que veio a seguir foi o show que mais me impressionou até hoje: THE FLAMING LIPS. ¿o maior espetáculo da Terra¿, diria o Lúcio Boateiro Ribeiro. Mas tenho que admitir, é realmente a coisa mais bonita que já vi em um palco. Wayne Coyne entrando em sua bolha de plástico e caminhando pelo palco dentro dela, umas vinte pessoas vestidas de animaizinhos de pelúcia [tigre, macaco, cachorro, etc] pulando pelo palco, duas pessoas vestidas de sol de pelúcia, serpentinas voando sobre o público, muito confete e o telão ao fundo da banda completavam o circo organizado pela banda. o guitarrista-tecladista vestido de Papai Noel obeso, o baixista vestido de caveira com uma fantasia igual a usada pelo guitarrista do GOOD CHARLOTTE. E tudo ao som de uma trilha sonora bacana.
Mesmo sendo claramente uma banda desconhecida da maior parte das pessoas presentes, o FLAMING LIPS tomou de assalto as pessoas e a única comparação que me vinha à cabeça era o FAITH NO MORE no rock in rio 2, quando eram praticamente desconhecidos e saíram ovacionados. Situação idêntica.
As pessoas aprendiam a cantar na hora ¿Yoshmi battles the pink robots¿, ¿she don¿t uses jelly¿ e ¿do you realize?¿. Quem não sabia a letra cantarolava qualquer coisa, seguia a melodia onomatopéicamente, qualquer coisa: o importante era fazer parte da festa.



As músicas ficam mais pesadas e com o andamento um pouco mais rápido ao vivo, muito bom. Baixo distorcido, barulhos eletrônicos, guitarra levemente distorcida, criando o clima para o freak show ao redor.
Wayne Coyne canta com sua marionete de freira na mão, tem uma câmera no microfone que projeta seu rosto no telão, toca em teclado de criança (aquele que tem sons de vaca, pato, cachorro) e tudo fica bom. Um showman de mão cheia. incrível. Tudo que posso fazer agora é correr atrás dos cds da banda e agradecer a Brian Molko, do Placebo, por ter indicado o FLAMING LIPS para o festival. O que rola é que ele teria falado aos produtores que "o show do FLAMING LIPS é inigualável". Verdade.
Ah, ia esquecendo das covers. Bem no início do show tocaram um trecho de "bohemia rhapsody" do Queen e pouco antes de terminar, Wayne disse "defeat George bush" e iniciaram "war pigs" do Black Sabbath. Muito fóda.

THE FLAMING LIPS tocou por volta das dez horas do noite, mas os caras da bandas já estavam na Cidade do Rock desde cedo. Enquanto os roadies do CACHORRO GRANDE passavam som (antes da mudança de palco), Wayne já estava no palco, treinando com sua arma de atirar serpentina sobre o público.

Nossa! Escrevi demais e estou cansando. Vou tanter ser mais breve.



IGGY POP AND THE STOOGES foi mediano. Por que:
Em primeiro lugar: Iggy realmente já não passa de uma caricatura de si mesmo, uma vovó de jeans [feminino] apertado querendo causar algum impacto, fazendo poses e tentando incorporar um personagem batido.
Em segundo: deixaram de tocar ¿search and destroy¿. Como eles podem deixa-la de fora? É um dos maiores clássicos da história do rock! Também não tocaram ¿your pretty face is going to hell¿ e nem ¿raw power¿.
Terceiro: não tocaram músicas da carreira solo de Iggy.
Quarto: deixaram um saxofonista estragar várias músicas.
Mas tem gente que cai em qualquer uma e provavelmente você ouvirá por aí que foi o melhor show do ano. Tsc tsc.
Porém é claro que ouve coisas muito boas, como ¿tv eye¿, ¿i wanna be your dog¿ [duas vezes. Para quê? Por que não tocar ¿search and destroy¿ no lugar?] e ¿no fun¿. Essa, aliás, foi o melhor momento do show. Iggy começou a puxar algumas mulheres para o palco e a galera se empolgou. A cada minuto era mais gente no palco. Os caras subiam e começavam a correr pelo palco, as mulheres queriam beijar Iggy. Os caras do CACHORRO GRANDE, que assistiam o show do canto, se empolgaram e se jogaram no meio do palco também. Em meio a esta zona, um festival de cambalhotas e rasteiras, gente no chão e pulando, adivinhe quem aparece lá no fundo, para se juntar à festa? Ele mesmo, Wayne Coyne! Ele fica ao lado do amplificador do baixo, rindo da zona feita pelo povo. Assim que a música acaba e a galera volta para seus lugares, Wayne troca umas palavras com o baixista do STOOGES e se despede, enquanto sai do palco na maior calma.



SONIC YOUTH foi a maior decepção do Claro Que É Rock. Tocaram umas seis músicas desconhecidas da maioria e pronto. Só um monte de barulhinhos, o de sempre: microfonias, guitarras no chão, rastejos, bla bla bla. O mais engraçado foi ver o Thurston Moore ir ao chão com um câmera man e ficar sentado em cima do coitado, ¿tocando¿ sua guitarra.



Será o peso da idade? Já não têm mais gás para tocar coisas como ¿teenage riot¿, ¿silver rocket¿, ¿dirty boots¿ ou ¿kool thing¿? ou será que eles simplesmente não têm consideração alguma pelos fans brasileiros?
De qualqer modo, não foi ruim, mas não chegou nem perto do que se esperava.



E o NINE INCH NAILS? Este foi tudo que se esperava e mais. Um puta peso, o som ótimo, a bateria pesada e a distorção arrebentando seus ouvidos durante o show mais animado e longo do festival. O melhor ao lado do FLAMING LIPS.
Trent Reznor bombado e de cabeça raspada, empunhando sua guitarra durante boa parte do show, despejou hit atrás de hit, fazendo com que mesmo após horas de shows o público ainda pulasse. O show começou por volta das 3 da madrugada e disse que este era o show mais tarde que o NINE INCH NAILS já tinha feito em toda a sua história.



Deram destaque às canções mais animadas, o que significou na exclusão do material do ótimo The Fragile. Apenas duas ou três músicas deste álbum foram tocadas, entre elas ¿starfuckers¿, talvez o ápice do show.
No fim, baixista e guitarrista quebraram seus instrumentos e jogaram ao público, mas somente a guitarra estraçalhada alcançou o alvo. Caiu bem a meu lado e foi disputada por umas dez pessoas (inclua aí o ilustre Ernesto Jacques) que babavam espuma e pareciam disputar, famintas, um animal recém abatido. No fim os seguranças foram apartar a confusão e é bem provável que algum daqueles filhos da puta a tenha pego para si.

Aaaaaahhhhhhh! Agora chega! Acho que foi um resumo razoável. Se você não o achar, o problema é todo seu.

[ao som:
do novo do FRANZ FERDINAND
e de muito DEPECHE MODE, incluínd0-se aí os álbuns Ultra e Songs of Faith & Devotion]